Existem certas coincidências na vida da gente que não tem uma explicação na racionalidade e acabamos atribuindo ao mundo espiritual... Como disse Miguel de Cervantes: “Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay”.
São diversos, digo muitos casos desses que acontecem comigo. Conto dois casos que podem parecer simples, mas se percebermos a complexidade das coincidências que existem na situação.. . Você também dirá que no mínimo é estranho.
A família de minha mãe é de origem italiana e minha mãe foi criada nesta cidade, muito pequena que até hoje não passam de 10.000 os habitantes, esta cidade fica em Santa Catarina. Quando se casou com meu pai foi morar em Juiz de Fora onde nasci, anos depois nos mudamos para BH. Depois quando me casei vim morar numa cidade do interior de São Paulo, num bairro onde é a Paroquia da Sagrada Família. Meu marido trabalha num outro bairro, onde a Paróquia é de São Dimas. Nesta cidade onde moro o nosso mundo gira em torno dessas duas paróquias. Eu já morava há muito anos nessa cidade quando minha mãe resolveu me presentear com um livro que minha avó deu para ela ainda em Santa Catarina quando ela casou. Quando abro o livro de dentro do livro caem dois “santinhos”. Ao ler os santinhos fiquei emocionada, pois a coincidência foi tremenda... Um dos santinhos tinha no verso escrito o “agradecimento por ter contribuído com a construção da Paróquia da Sagrada Família” em minha cidade, e o outro... também tinha um agradecimento por ter contribuído com a “Paróquia de São Dimas”, também em minha cidade. Perceba, quanta volta teve de dar, como pode minha avó na década de 50 ter ajudado a construir uma Paróquia numa cidade onde ela nunca morou, nem perto chegou, mas o mundo de sua neta 60 anos depois, gira em torno dessas duas mesmas Paroquias... Como diria meu vizinho... SINISTRO!
O Segundo caso que agora conto para mim é mais estranho ainda.
Nesta cidade onde moro, há muitos anos tenho uma grande amiga que é minha vizinha. Somos amigas mesmo. Vemos-nos todos os dias, as casas são coladas, os filhos cresceram juntos, temos total liberdade uma com a outra e na casa da outra... Isso há anos... Meu nome não é um nome fácil de ser encontrado no Brasil, mesmo no mundo é raro ter alguém com meu nome. Já o nome e o sobrenome da minha vizinha também não é nada comum. A mãe dela resolveu fazer aquelas uniões de dois nomes, coisas de mineiros... e o sobrenome dela, ou seja, do marido dela também é difícil de ser encontrado... talvez no mundo tenham umas mil pessoas com esse sobrenome... Ele não é raro... mas é incomum. Aqui direi que o sobrenome é algo como... Aurífero... não, não é este o sobrenome dela, nem o nome, mas só coloco este para contar o fato. Então vamos dizer que minha amiga se chama Jucimeire Aurífero e eu Dóris Trinidelli.
Bem vamos ao fato... Certo dia há uns quatro anos atrás eram quase meia noite e Jucimeire chega a minha casa e me pede que a acompanhe até a farmácia para comprar um medicamento, pois seu esposo estava se sentindo mal e precisava do medicamento. Eu não estava preparada para sair, mas a acompanhei... sem carteira ou documento, chinelinho de dedo e embarquei no carro. Chegamos à farmácia, compramos o medicamento e na saída encontramos um Senhor já idoso que tem o costume de vender pão de mel até altas horas da noite naquele local Eu já havia comprado o pão de mel desse Sr. e havia gostado... Quer dizer... era muito gostoso!!! Era tão gostoso que mesmo sem dinheiro resolvi que queria comer um e pedi para a Jucimeire me emprestar um dinheiro para eu poder comprar o bendito pão de mel. Ela mais que depressa me emprestou e também resolveu comprar um. Já estávamos dentro do carro e Jucimeire já estava dando a partida no carro quando eu tive uma vontade enorme de saber o nome daquele Senhor; afinal ele já era uma figura folclórica naquele lugar. Pedi para a “Ju” desligar o carro e tasquei o interrogatório:
- ô meu Senhor! Como o senhor se chama?
- ah... Eu tenho um nome esquisito... Me chamam de Dorinho.
- como? Não entendi? Qual é o seu nome? Repeti a pergunta já saindo do carro, pois não estava entendendo o que ele havia falado...
E ele repetiu:
- me chamam de Dórinho, mas não é meu nome verdadeiro... minha mãe me deu um nome de mulher... Meu nome verdadeiro... É Dóris!
Eu não acreditei, pensei ter ouvido errado, ou quem sabe o nome dele seria “Bóris”, muita gente confunde... Dóris com Bóris... Eu pedi para ele repetir.
- moça, meu nome é Dóris mesmo... Não é Bóris! Bóris é nome de homem, o meu é Dóris, nome de mulher. DÓRIS!
Eu sou muito curiosa e às vezes acho que São Tomé era meu discípulo... Não acreditei no que o homem me dizia... E novamente duvidei:
- ah! Não acredito! O Sr. está enganado... O Senhor tem identidade? Esta com ela ai? Deixa-me ver sua identidade?
Afinal, era muita coincidência: plena meia noite, comprando pão de mel de um homem que eu nem conhecia e ao qual resolvo perguntar o nome e o nome deste Sr. é um nome raro de mulher e é igual ao meu! Não tive dúvidas...
- me mostra a identidade?
O Sr. muito simples, mas sem constrangimento, levou a mão ao bolso da calça e de dentro tirou uma carteira zurrada e de dentro dela tirou sua identidade... amarelada, amassada...
Eu mais que depressa peguei a identidade das mãos do Sr.
Há estas alturas a Jucimeire já estava do meu lado achando aquilo estranho e se divertindo com a situação e com a coincidência que já era suficiente para nos deixar intrigadas e dar boas gargalhadas mais tarde.
Enquanto ela saia do carro eu com a carteira na mão não acreditava no que estava lendo. Fiquei estarrecida! Li e reli umas cinco vezes antes que tivesse certeza absoluta que o que eu estava lendo era aquilo mesmo... Olhava para a carteira e para a Jucimeire e pensava:
- ainda bem que ela esta aqui do meu lado, pois se eu contasse ninguém acreditaria...
E Jucimeire a me inquirir:
- e ai... Ele se chama Dóris, mesmo Dóris?
Eu perplexa e rindo ao mesmo tempo respondi...
-Ju... Você não vai acreditar... Ele não só se chama Dóris... mas o nome todo dele é :
Dóris Aurifero !!!!
Alvoroço total, ela arrancou a identidade de minhas mãos... Tamanha coincidência é no mínimo improvável, e depois de muita conversa, perguntas e respostas descobrimos que o tal de Dórinho... ou “Sr Dóris Aurifero” era primo do esposo dela... Coisas de família, aquelas famílias que se distanciam uma das outras.
No fim, viemos para casa certas de que tínhamos “um carma” ou “uma benção” em comum para pagarmos, coisa de alguma vida passada, afinal, essa não era a única coincidência que nos unia... já haviam tido duas anteriores a essa... Riamos muito e no mesmo tempo estávamos impressionadíssimas!
Chegando em casa, encontramos nossos filhos reunidos numa turma em frente de nossas casas. Chegamos eufóricas, loucas de vontade de dividir a nossa história com mais pessoas, e eles foram os primeiros, tiveram que ouvir. Contamos cada detalhe da história e perguntamos a eles se não era realmente impressionante tamanha coincidência... Todos ficaram encantados com a história, realmente tinha algo mais que coincidência... Mas um amigo deles sabe aquele amigo que tem sempre uma resposta pronta na ponta da língua e que desarma todo mundo... Pois é... Ele soltou para nosso desespero a seguinte conclusão:
- É de fato... Dóris Aurifero é muito raro... mas mais raro ainda seria se ele se chamasse....
Jucimeire Trinidelli.
A Explosão de gargalhadas foi geral...
Isso ficou na nossa história... E que história, não?
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