segunda-feira, 28 de maio de 2012

Lembrando que para acabar com o sentimento de culpa...

Li não sei onde e anotei... um bom conselho nunca é demais.
1 - Guarde sua língua
2 - Examine suas atitudes.
3 - Governe suas ações ( sua obra revela ).
4 - Discipline seus sentimentos.
5 - Controle seu pensamento.
6 - Considere suas intenções.
7 - Guarde seu coração.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Porque ?


Como podemos morar em uma cidade, tirar o sustento dela e não conhecermos seu folclore, sua cultura, aquilo que ela tem de diferente?  Vivemos em guetos e temos dificuldade de sair dele... Às vezes medo, não de todo injustificado, mas deixamos de conhecer tantas coisas lindas em nossa cidade... Por quê?

sábado, 10 de março de 2012

Uma pequena reflexão sobre o homem na terra


Acredito que ninguém dúvida que o homem com seu modo de vida tem deteriorado a “nossa mãe terra”.

Hoje meu filho comentou comigo que leu um artigo onde dizia que o Homem é o único ser que existe sobre a terra que se desaparecer não fará falta para nenhum ecossistema.

Tenho ouvido isso há um bom tempo: o homem é um vírus sobre a terra.

Vi nesta conversa com meu filho um aspecto religioso que me pareceu muito importante e nos coloca diante da confirmação da existência de Deus, afinal aprendi que a terra foi feita para o homem, tudo foi feito para ele : - e disse Deus “ Façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” (Gênesis 1:26).

O que você acha disso?

quinta-feira, 1 de março de 2012

Coincidencias... Estranhas !

Existem certas coincidências na vida da gente que não tem uma explicação na racionalidade e acabamos atribuindo ao mundo espiritual... Como disse Miguel de Cervantes: “Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay”.
São diversos, digo muitos casos desses que acontecem comigo. Conto dois casos que podem parecer simples, mas se percebermos a complexidade das coincidências que existem na situação.. . Você também dirá que no mínimo é estranho.
A família de minha mãe é de origem italiana e minha mãe foi criada nesta cidade, muito pequena que até hoje não passam de 10.000 os habitantes, esta cidade fica em Santa Catarina. Quando se casou com meu pai foi morar em Juiz de Fora onde nasci, anos depois nos mudamos para BH. Depois quando me casei vim morar numa cidade do interior de São Paulo, num bairro onde é a Paroquia da Sagrada Família. Meu marido trabalha num outro bairro, onde a Paróquia é de São Dimas. Nesta cidade onde moro o nosso mundo gira em torno dessas duas paróquias. Eu já morava há muito anos nessa cidade quando minha mãe resolveu me presentear com um livro que minha avó deu para ela ainda em Santa Catarina quando ela casou. Quando abro o livro de dentro do livro caem dois “santinhos”. Ao ler os santinhos fiquei emocionada, pois a coincidência foi tremenda... Um dos santinhos tinha no verso escrito o “agradecimento por ter contribuído com a construção da Paróquia da Sagrada Família” em minha cidade, e o outro... também tinha um agradecimento por ter contribuído com a “Paróquia de São Dimas”, também em minha cidade. Perceba, quanta volta teve de dar, como pode minha avó na década de 50 ter ajudado a construir uma Paróquia numa cidade onde ela nunca morou, nem perto chegou, mas o mundo de sua neta 60 anos depois, gira em torno dessas duas mesmas Paroquias... Como diria meu vizinho... SINISTRO!
O Segundo caso que agora conto para mim é mais estranho ainda.
Nesta cidade onde moro, há muitos anos tenho uma grande amiga que é minha vizinha. Somos amigas mesmo. Vemos-nos todos os dias, as casas são coladas, os filhos cresceram juntos, temos total liberdade uma com a outra e na casa da outra... Isso há anos... Meu nome não é um nome fácil de ser encontrado no Brasil, mesmo no mundo é raro ter alguém com meu nome. Já o nome e o sobrenome da minha vizinha também não é nada comum. A mãe dela resolveu fazer aquelas uniões de dois nomes, coisas de mineiros... e o sobrenome dela, ou seja, do marido dela também é difícil de ser encontrado... talvez no mundo tenham umas mil pessoas com esse sobrenome... Ele não é raro... mas é incomum. Aqui direi que o sobrenome é algo como... Aurífero... não, não é este o sobrenome dela, nem o nome, mas só coloco este para contar o fato. Então vamos dizer que minha amiga se chama Jucimeire Aurífero e eu Dóris Trinidelli.
Bem vamos ao fato... Certo dia há uns quatro anos atrás eram quase meia noite e Jucimeire chega a minha casa e me pede que a acompanhe até a farmácia para comprar um medicamento, pois seu esposo estava se sentindo mal e precisava do medicamento. Eu não estava preparada para sair, mas a acompanhei... sem carteira ou documento, chinelinho de dedo e embarquei no carro. Chegamos à farmácia, compramos o medicamento e na saída encontramos um Senhor já idoso que tem o costume de vender pão de mel até altas horas da noite naquele local Eu já havia comprado o pão de mel desse Sr. e havia gostado... Quer dizer... era muito gostoso!!! Era tão gostoso que mesmo sem dinheiro resolvi que queria comer um e pedi para a Jucimeire me emprestar um dinheiro para eu poder comprar o bendito pão de mel. Ela mais que depressa me emprestou e também resolveu comprar um. Já estávamos dentro do carro e Jucimeire já estava dando a partida no carro quando eu tive uma vontade enorme de saber o nome daquele Senhor; afinal ele já era uma figura folclórica naquele lugar. Pedi para a “Ju” desligar o carro e tasquei o interrogatório:
- ô meu Senhor! Como o senhor se chama?
- ah... Eu tenho um nome esquisito... Me chamam de Dorinho.
- como? Não entendi? Qual é o seu nome? Repeti a pergunta já saindo do carro, pois não estava entendendo o que ele havia falado...
E ele repetiu:
- me chamam de Dórinho, mas não é meu nome verdadeiro... minha mãe me deu um nome de mulher... Meu nome verdadeiro... É Dóris!
Eu não acreditei, pensei ter ouvido errado, ou quem sabe o nome dele seria “Bóris”, muita gente confunde... Dóris com Bóris... Eu pedi para ele repetir.
- moça, meu nome é Dóris mesmo... Não é Bóris! Bóris é nome de homem, o meu é Dóris, nome de mulher. DÓRIS!
Eu sou muito curiosa e às vezes acho que São Tomé era meu discípulo... Não acreditei no que o homem me dizia... E novamente duvidei:
- ah! Não acredito! O Sr. está enganado... O Senhor tem identidade? Esta com ela ai? Deixa-me ver sua identidade?
Afinal, era muita coincidência: plena meia noite, comprando pão de mel de um homem que eu nem conhecia e ao qual resolvo perguntar o nome e o nome deste Sr. é um nome raro de mulher e é igual ao meu! Não tive dúvidas...
- me mostra a identidade?
O Sr. muito simples, mas sem constrangimento, levou a mão ao bolso da calça e de dentro tirou uma carteira zurrada e de dentro dela tirou sua identidade... amarelada, amassada...
Eu mais que depressa peguei a identidade das mãos do Sr.
Há estas alturas a Jucimeire já estava do meu lado achando aquilo estranho e se divertindo com a situação e com a coincidência que já era suficiente para nos deixar intrigadas e dar boas gargalhadas mais tarde.
Enquanto ela saia do carro eu com a carteira na mão não acreditava no que estava lendo. Fiquei estarrecida! Li e reli umas cinco vezes antes que tivesse certeza absoluta que o que eu estava lendo era aquilo mesmo... Olhava para a carteira e para a Jucimeire e pensava:
- ainda bem que ela esta aqui do meu lado, pois se eu contasse ninguém acreditaria...
E Jucimeire a me inquirir:
- e ai... Ele se chama Dóris, mesmo Dóris?
Eu perplexa e rindo ao mesmo tempo respondi...
-Ju... Você não vai acreditar... Ele não só se chama Dóris... mas o nome todo dele é :
Dóris Aurifero !!!!
Alvoroço total, ela arrancou a identidade de minhas mãos... Tamanha coincidência é no mínimo improvável, e depois de muita conversa, perguntas e respostas descobrimos que o tal de Dórinho... ou “Sr Dóris Aurifero” era primo do esposo dela... Coisas de família, aquelas famílias que se distanciam uma das outras.
No fim, viemos para casa certas de que tínhamos “um carma” ou “uma benção” em comum para pagarmos, coisa de alguma vida passada, afinal, essa não era a única coincidência que nos unia... já haviam tido duas anteriores a essa... Riamos muito e no mesmo tempo estávamos impressionadíssimas!
Chegando em casa, encontramos nossos filhos reunidos numa turma em frente de nossas casas. Chegamos eufóricas, loucas de vontade de dividir a nossa história com mais pessoas, e eles foram os primeiros, tiveram que ouvir. Contamos cada detalhe da história e perguntamos a eles se não era realmente impressionante tamanha coincidência... Todos ficaram encantados com a história, realmente tinha algo mais que coincidência... Mas um amigo deles sabe aquele amigo que tem sempre uma resposta pronta na ponta da língua e que desarma todo mundo... Pois é... Ele soltou para nosso desespero a seguinte conclusão:
- É de fato... Dóris Aurifero é muito raro... mas mais raro ainda seria se ele se chamasse....
Jucimeire Trinidelli.
A Explosão de gargalhadas foi geral...
Isso ficou na nossa história... E que história, não?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Avisem a Dilma .

Avisem a Dilma!

Tenho uma amiga cuja mãe tem uma modéstia muito peculiar.

Sempre rimos quando a vemos comentar de algum assunto onde ela, mesmo que anonimamente, é sempre a protagonista da história.

Como boa filha que é e não querendo falar de problemas com a mãe ela acaba comentando mais sobre politica e assuntos de terceiros para distrair a mãe. Hoje, minha amiga chegou aqui em casa e me contou que visitou a mãe e falaram dos sete ministros que caíram no governo da Dilma. A mãe mais que depressa:

- Sabe minha filha, eu rezo muito para a Dilma, e olhe que eu rezo e cai ministro, eu rezo e cai ministro... Então Srs. ministros... Cuidado com as Rezas de Dona Su.

Tangerinas são só tangerinas...

Não... Definitivamente não passei a nostalgia do imigrante italiano para meus filhos.

Toda aquela nostalgia, o sotaque familiar de um italiano para eles anão soa diferente dos outros, é um estrangeiro... Nada mais.

Não sei se é bom ou ruim. A principio me parece muito bom e assim espero que seja. Essa nostalgia italiana sempre foi muito pesada para mim, sempre quis larga lá de lado mas nunca consegui. Não sei por que está entranhada em mim. É uma ligação automática, sem escalas, direta...

Tangerinas para meus filhos só são tangerinas...

2/12/2010

Minha Querida São José dos Campos



2007/2008
Minha querida São José dos Campos, você foi entrando em meu coração devagarzinho.
Não nasci em tuas terras, mas meus filhos sim e é aqui quase que sem perceber que estou criando raízes...
Fui te descobrindo devagar, como nos namoros antigos. Você vai conhecendo, descobrindo e se envolvendo e de repente você já não sabe mais como viver longe dele...
Em alguns momentos eu penso que sou uma espécie de cigana...
Meu pai era italiano do norte da Itália que veio para o Brasil em 1955 para fugir de seu destino de trabalhar na terra. Lutou na 2ª guerra e certamente procurava “o novo mundo”. Depois de um par de anos resolveu voltar para a Itália, mas não sem antes conhecer o sul do Brasil que lhe diziam ser muito bonito e foi lá que ele encontrou minha mãe. Catarinense, neta de imigrantes, falavam a mesma língua, se conheceram e se casaram em pouco tempo e foram morar em Juiz de Fora /MG onde nasci. Passei minha infância lá, e menina eu assistia a rivalidade entre Juiz de Foranos também chamados “cariocas do brejo” e os mineiros da capital... 
E num belo dia somos informadas que nós iríamos morar na capital... E lá fomos nós... Esperança nas mãos e um certo temor no coração de como seriamos recebidos na Capital.
Belo Horizonte naquela época era uma cidade fervilhante e não nos recebeu com carinho. Foi lá que pela primeira vez ouvi falar de SJC. Eu estudava no Colégio Pio XX de Freiras Salesianas, estavam organizando uma viagem até uma cidade de nome São Jose dos Campos. Tive enorme vontade de vir, porem meus pais não deixaram. Anos depois, um amigo de infância foi nos visitar e falou que estudava numa importante Faculdade em São José... Conheci assim o “ITA” e o “CTA”.
Estudei e me formei em Belo Horizonte e já estava bem adaptada quando de repente o destino se intrometeu em minha vida e me apresenta um rapaz. Nos apaixonamos e os dois, em busca de melhores oportunidades nos casamos e viemos para cá.
A primeira vez que vi SJC estavas envolta por uma bruma... Era manha bem cedinho e o ônibus estacionou na   Rodoviária Nova. Andando por tuas ruas ela me pareceu uma cidade misteriosa meio assombrada com aquela neblina espessa e úmida... No trajeto conheci e me maravilhei com o Banhado. Não conseguia ver direito o que estava escondido sob a neblina... Parecia a orla de uma praia, mas não nesta altitude.
Mas tão rápido a bruma se dissipou e um sol luminoso brilhou a cidade. Vi então suas ruas planas, cheias de árvores e ipês floridos, pareciam enfeitados para uma festa. O chão estava como um tapete de flores a me receber. Esta é a imagem mais forte que tenho de ti... O asfalto forrado de folhas e flores... As andorinhas na copa das arvores faziam um barulho alegremente ensurdecedor e nas suas brincadeiras davam rasantes nas suas ruas ainda vazias aquela hora da manha.
Paramos na padaria e lá tomamos um gostoso café com pão na chapa, e foi assim que conheci seus primeiros habitantes. Olhando seus rostos percebi que vinham de vários lugares, todos correndo a tomar seu café e indo para o trabalho.
Era uma sexta feira e o ritmo agitado da cidade se contrastava com a expectativa no rosto de seus cidadãos pela proximidade do fim de semana. Com certeza faziam planos. Talvez fossem para um clube, O Luso, o Tênis ou a Associação Esportiva, ou quem sabe tinham um sitio no município ou mesmo nos arredores, Jacareí, Santa Branca, Jambeiro, Paraibuna? Podiam escolher ir para a Serra? Visitar Campos do Jordão? Mas com esse sol brilhante! Poderiam escolher também ir para alguma praia, tão pertinho daqui! Descobri depois que muitos de seus moradores eram meio que estrangeiros como eu e aproveitavam o fim de semana para ir visitar seus parentes, em São Paulo, Rio, ou no interior de Minas... E deixavam a cidade um pouco vazia...Naquela época ainda não existia os grandes Shoppings Center. Não havia o Center Vale, o Colinas, o Vale Sul. Existia somente o Shopping do Centro da Cidade, onde quase todos iam fazer suas compras e ver as novidades...
Assim falando parece que isto foi há muito tempo atrás... Veja bem, não sou tão velha assim, é que você São José dos Campos, parece que tomou fermento e cresceu muito e se desenvolveu mais que as outras cidades. Quando aqui cheguei era difícil encontrar alguém que havia nascido aqui. A maioria da população vinha de outras cidades
Agora você já tem muitos filhos! Filhos que te adoram e dizem não querer sair daqui, pois aqui é a cidade perfeita esta perto de tudo e tem tudo o que se pode querer em termos de diversão e qualidade de vida. Mas há alguns anos atrás ainda não era assim. As pessoas gostavam de fazer suas compras em São Paulo (ainda não perderam este costume), iam a teatros e bares sempre longe daqui. Hoje você São José já tem uma vida noturna agitada bares, cinemas e o teatro também esta se desenvolvendo por aqui... É só lhe dar mais um tempinho...
Lembro-me bem de que um dos primeiros lugares que conheci foi a Tecelagem Paraíba. Na época ela ainda funcionava dentro do que é hoje o Parque da Cidade, lindo! Encantei-me com seus prédios de tijolos, suas paineiras, e sua loja de cobertores... E me lembrei do comercial com o menininho que ia dormir todo quentinho segurando uma lamparina na mão e a cantiga que era assim:

_ “Tá na hora de dormir, não espere mamãe mandar... Um bom sono para você, e um alegre despertar...”

Eu me hospedei na Vila Ema. Na época um bairro de casas modestas e hoje é um bairro charmoso, sempre em transformação, cheio do agito dos bares e lojas que encantam os olhos. Passeando pela Vila Ema via a Rua Serimbura. A capelinha que lá existe me encantou pela sua localização e simplicidade. Andando por essas bandas conheci e me encantei com o Vicentina Aranha, quase abandonado era quase possível ver seus fantasmas...
Indo para o centro passei pelo Tênis Clube e lembrei que ouvira falar de grandes disputas esportivas que aconteciam ali. Soube então que ali antigamente era a Estação Ferroviária da cidade. As palmeiras imperiais que levavam até o centro da cidade, ainda estão lá na Avenida João Guilhermino a nos lembrar desta época antiga. E fui vendo mais... O Fórum, a Câmara.
Conhecendo o centro da cidade vi a igreja Matriz, timidamente majestosa nos seus traços simples, construída em 1934 onde outrora existiu a primeira capela do povoado construída em taipa de pilão pelos indios. Bem em frente à Matriz o marco zero da cidade. Bem próximo também estava a antiga, singela e abandonada Igreja de São Benedito que com suas historia nos encanta.
 Lembras São José?
 Ela começou a ser construída em 1869 e frequentada pelos escravos e homens pobres da região. Dizem que o “ Zé Taipeiro” foi o responsável pela construção de suas grossas paredes feitas de taipa de pilão. Segundo os “entendidos” ela só foi finalizada graças a um achado de um tal João Ribeiro que ao reformar um casarão na cidade acabou encontrou um panelão de barro cheio de barras de ouro e, em agradecimento ao “achado”,  finalizou a construção da Igreja.
 Contaram-me ainda que dentro da Igreja, entre duas paredes do templo está enterrado, em pé, o corpo mumificado do Capitão Miguel de Araújo Ferraz que foi tirado na época, da antiga Igreja do Rosário que estava sendo demolida e transferido para ela.

Na Praça Cônego Lima vi suas antigas e assombrosas figueiras suas paineiras, angicos e sucupiras...
Vi seu antigo Theatro São José que ainda funcionava se bem que precariamente...
Descendo para o lado dos campos de Santana conheci a nova Estação Ferroviária, a Tecelagem.
Fui andando para Santana, Freitas, Buquira...
Resolvi te conhecer mais. Fui em busca da tua historia e daqueles que sabiam mais sobre você. No livro do Bondesan conheci seu drama com a tuberculose, com o livro do Age Junior seu passado mais distante com suas historias da colonização.
Me encantei com o Livro do Omar Fonseca que te recriou em “branco e preto” com uma pena de Nanquim.
Conheci a Ângela Savastano guardando e pesquisando seu legado folclórico.
Sempre a margem, mas sempre atenta vi aparecerem novos admiradores e pesquisadores de você São José e assim novas antigas historias estão sendo reveladas.
Descobri que sua fundação se confunde com a historia de São Paulo de Piratininga... Contam-nos os historiadores que alguns índios Guaianazes fugitivos da aldeia de Piratininga vieram parar nessas bandas... Ficaram reunidos á margem do Rio Paraíba. Aos poucos o local ficou conhecido como “Aldeia do Rio Comprido”. Esse aldeamento aos poucos se mudou para o nosso querido banhado... Isso foi nos idos de 1643.
Soube da construção da “Residência dos Padres” na atual João Pessoa ou Largo da Matriz que mais tarde se transformou num convento e que era ligado a Matriz por uma galeria subterrânea para se protegerem do ataque dos índios inimigos.
Você consegue se lembrar das cabanas dos índios ali onde hoje é a Avenida São José e a Praça da Matriz ?
Nunca imaginei que nestas terras havia criação de ovelhas e que a lã dessas ovelhas criou uma pequena indústria de chapéus grossos de feltro e que houve extração de ouro na “fazenda dos padres”. Tambem não sabia que até a construção da represa de Paraibuna o banhado se enchia de água e na época das chuvas os moradores de Santana vinham de barco até a Igreja Matriz.
Sabias que onde hoje é centro da cidade existiu um cemitério e que às vezes ainda encontram pedaços de ossos quando cavam o solo? Que as “quatro paineiras da praça” marcavam a entrada de um cemitério? Tu te lembras São José?
Fui descobrindo que a descoberta do ouro nas Minas Gerais, fez a sua população já pouca diminuir ainda mais e esta correria do ouro fez nascer uma demanda por cavalos e mulas e trouxeram os tropeiros que negociavam estes animais que eram vendidos em São Paulo e no Rio de Janeiro.
E mais...
Que nas margens do Rio Paraíba lá perto de Santana, construíram um posto de remonta para descanso dos tropeiros e existiu outro posto de remonta as margens do Rio Paranga.
Suas tradições!
De certo o bolinho caipira feito fubá ( ou de mandioca?) e carne moída surgiu por ali numa noite fria, perto de um fogão de lenha, tendo como espectadores da novidade os olhos brilhantes dos filhos de tropeiros e caboclos.
Fiquei sabendo também que em 1759 os Padres Jesuítas que administravam a Aldeia foram expulsos do País e entregaram a administração da “Aldeia de São José” ao capitão mor de Jacareí o Sr. José de Araújo Coimbra, que se afeiçoou por ti São José e fez de tudo para elevar-te a Vila, antes mesmo de ter passado pelo estado de freguesia, como era a ordem normal das coisas...
Descobri que passaste um bom tempo dormindo, como que em repouso, uma forma de respeito aos que aqui sofreram tão terrível mal como foi a tuberculose.
Veja bem São José hoje conheço mais sua historia, sei que você foi uma cidade que no começo era pequena e sem muita expressão... Foi despertando devagarzinho... Vieram os mineiros, italianos, libaneses e outros mais. Chegavam para povoar suas terras, criando fazendas... Depois descobriram seu clima saudável para a cura da tuberculose, doença terrível que vitimava as pessoas de forma democrática. A única esperança de cura era um clima agradável alimentação e repouso. E assim trazidos por uma doença aportaram centenas de pessoas nas suas terras. Muitas se curaram e retornaram para suas cidades natal. Outras aqui lançaram seus últimos suspiros, outras ainda se curaram e escolheram continuar vivendo em suas terras.
Quando enfim se descobriu um remédio para tão terrível mal, podia se imaginar que tu São José não fosses mais crescer, iriam te esquecer... Mas eis que Getúlio Vargas manda construir uma rodovia ligando São Paulo ao Rio de Janeiro, e você São Jose dos Campos, que pacata estavas, fica colocada no meio desta importante rodovia. Isto impulsiona seu crescimento. A Rhodosa foi a primeira grande empresa a se estabelecer aqui, mesmo antes de inaugurada a Via Dutra. Logo em seguida veio o CTA e logo depois uma enxurrada de Empresas foi se estabelecendo em suas terras, trazendo gente de todo o país, e a pacatez de cidade pequena foi dando lugar a uma cidade agitada, cheia de operários, empresários, comerciantes, profissionais liberais... E uma coisa foi puxando a outra, vieram as Faculdades, a Etep, Ita, Inpe, Fundação Vale paraibana, Univap, Embraer, enfim suas terras se valorizaram. Construíram uma cidade dentro de outra cidade a: Urbanova. Continuas a crescer, pois como já me disseram com a construção do Porto de São Sebastião mais empresas passarão por aqui, mais progresso...
Tivestes e tens prefeitos que te amam, pois cada um que vem procura te embelezar mais...
Engrandeceram o seu nome. Creio que estas pessoas se apaixonaram por seus mistérios. Sua vida pacata da época. A sua origem indígena, o relato de que ai na beira do banhado os índios haviam escolhido para erguer suas cabanas, pois dali podiam ver os inimigos que poderiam surgir. Uns dizem que Jose de Anchieta foi quem te fundou! Mas o que mais intriga até hoje seus cidadãos é a curiosidade em saber: existe mesmo um túnel que liga a Igreja a Câmara?
E o seu jeito mineiro São José ele esta muito bem representado no Bairro de Santana. Já pensei até que ao escolherem o nome de Santana para este bairro foi uma escolha do destino, pois não era Santana a mãe de Maria, esposa de São José?
Santana é um capitulo a parte na tua historia. Guarda toda a sua tradição caipira, da terra. Moda de Viola, Sítios, Historias de Assombração, lendas... É realmente delicioso passear pelas bandas de Santana, conversar com seus moradores, ver ainda pelas suas ruas o vendedor que bate na janela de madeira e pergunta ao morador se quer comprar sua mercadoria... Ver as pessoas passeando na frente da igreja, conversando nas calçadas... Saboroso passeio faz bem para a alma, nos tranquiliza...
Pena que hoje em dia no caminho que nos leva até lá vemos o antigo Prédio quase abandonado da antiga Porcelana Weiss que a modernidade não permitiu que continuasse a funcionar! Em compensação a antiga Fábrica de Cobertores Paraíba foi transformada num local publico que abriga vários serviços públicos, como a Fundação Cassiano Ricardo, o Ceama, o Museu, e em breve o nosso Teatro Municipal.
Quando cheguei aqui e isto foi em 1984, já te achava grande São José, mas cresceste mais! Nestes anos que aqui estou vi cresceres para todo o lado. Acompanhei o crescimento de teus bairros, a realização de um antigo projeto como a construção do anel viário que nos permite cruzar a cidade em poucos minutos. Vi pessoas que chegavam como funcionários de empresas se transformarem em empresários bem sucedidos
Ao mesmo tempo São Jose não perdestes tua poesia. Um passeio na Avenida Anchieta nos deixa extasiados com seu Por do Sol. Subir no alto de um de seus enormes prédios pode nos proporcionar uma visão magnífica, sentimento de liberdade ao avistar toda a cidade espalhada pelo Vale, tendo ao fundo a Mantiqueira, ver o burburinho da cidade e um avião aterrissar no aeroporto.
És clara, linda, transparente...
O Crescimento deixou marcas em ti, São José! Ainda tens de te curar das feridas da violência. Ferida essa que assola todo o nosso País, mas creio que breve iras conseguir sanar também esta mácula que esta em ti... Protegendo sem distinção todos os teus filhos e agregados.
Enquanto escrevo esta carta para ti, sou obrigada a sair no meio da madrugada para ir até a farmácia, é noite fria tuas ruas estão tranquilas, quase vazias. Deparo-me com o voo de uma de suas famosas Corujas que graças a Deus teimam em dividir a cidade com os seres humanos.
Agora São José, depois de muita luta, decidistes revelar para nós a joia que estava escondida por detrás dos muros. O antigo hospital Sanatório Vicentina Aranha, construído na década de 30, rodeado de arvores lindas, com Capela pitoresca e de vitrais coloridos que ouviu no passado as preces dos doentes da tuberculose está se integrando a paisagem de maneira magnífica. Passear por estas bandas ficou muito mais bonito. Desde que estou aqui, vi bairros nascerem e crescerem. De antigos sítios bairros se formaram e continuas a crescer... Desejo a ti São José que continues a crescer, mas que saibas encontrar o limite ideal, que sejas feliz e faças feliz seus cidadãos, pois foi aqui que pude descobrir que se multiplicar dá sentido a vida, foi aqui que me tornei mãe de um casal de Joseenses maravilhosos.



Tunel do Tempo

Fala sério! Quem disse que hoje em dia não existe viagem no túnel do tempo? É claro que existe. Acabei de chegar da ante sala do embarque do túnel do tempo. O aeroporto de Guarulhos. Claro que é um portal. É só você olhar os vôos... em horas você estará em Dubai, França, Itália, Argentina, China etc... É ou não um túnel de tempo?

Cheiros de Rodeio

Dizem alguns que os perfumes ficam gravados na alma...

há algum tempo atrás sentindo saudades de Rodeio escrevi um texto que mandei para algumas pessoas da família... São cheiros da minha infância... gostaria que meus filhos pudessem senti los, mas sei que jamais sentirão da mesma forma que eu...

Quem não lembra ?????

- o barulho do assoalho da antiga casa da tia Armide; quem ficava no andar de baixo ouvia o tec tec dos que estavam em cima caminhando....

- o cheiro de cola da sapataria do tio Tuca...

- as hortencias da tia Armide....

- o barranco da casa dela com cheiro da terra úmida em dias de frio.

- a privada que ficava fora de casa ( hughh!!! mas me lembro) e o medo de cair la dentro quando se usava......

- A Tia Armide conversando com a galinha Gabriela .....

- as balas de amendoim ( nunca mais achei iguais de tão gostosas) que o Tio Tide distribuía para nós quando era noivo da Tia Cema....e a risada dele.....

- cheiro de muss, polenta, polenta brustolada, o sabão de cinzas da nona ( lizia?)

- os torteis de banana com canela ( ainda me arrisco a fazer e a comer....)

- os cheiros da casa da nona....

-o armário da cozinha da casa da nona ( casolar) feito de madeira , tela de arame pieno di muss, pane, formagi , salami e pani bianchi....o cheiro dos ranchos, biscotti del bambinel e mal di panza . Os banhos de canequinha numa bacia grande de aluminio com água salobra e todo mundo reclamando da água e tentando adivinhar o pq a água era assim......O Cheiro de cravo e pêssego que sentia ao lado da nona Carolina ( será que só eu que sentia esse cheiro???)

-o cheiro dos livros da tia Cema na estante , e as ilustrações e canções da coleção do “mundo da criança”, coleção por mim cobiçada por anos e que agora quando entro num sebo de livros e encontro uma para vender considero uma heresia ...

- a As Tias chamando pelos “ matelotti”

- o cheiro da venda da tia Cema e da cachaça de ervas que a tia Armide fazia...

- tia Armide matando sapo com o tamanco e gambá com uma vara... ....

- o “cheiro de dor” por ter descido a rampa da igreja na folha de coqueiro e ter ralado a bunda na terra ou ter sentado dentro do tacho de fazer sabão no fogão de lenha da nona Carolina sem saber que o fogão ainda estava quente.... ( só quem sentou no tacho sabe como era possivel e gostoso nas noites frias ficar lá dentro...), é um cheiro de dor de verdade. A dor foi tanta que me lembro até do cheiro dela....

- o jardim lateral da casa do tio Dino, e a casa triscando de tão brilhante da Tia Lena com seus lençois brancos de renda que nem Omo hoje em dia chega perto.....

- 0 cheiro e o sabor dos paes de aimpim e batata da Cacilda Fava que até hoje não consegui fazer.... a manteiga e o mel que passava neles..meu Deus!!! Que saudade !!!!!!!!

- cheiro do açougue.... vários.... externos e internos.... os barulhos tambem... recolhendo os bois para o abate... a fuga dos mesmos e nós subindo muros e cercas para não sermos pegos por eles... o Arceste correndo atras dos bois....a mangueira do açougue, o cheiro de xouriço, lingüiças, torresmo prensado e rescendendo para a casa da Nona... até hoje adoro um torresmo... e tem dias que chega a me dar vontade de chorar quando como um torresmo prensado pois me vem a lembrança o cheiro da minha infância....

- o cheiro do porão da casa da tia Cema.....cheio de garrafões de vinho...

- o cheiro e o barulho do bar que ficava na outra esquina da casa da tia Cema, fui lá pela primeira vez com o Tio Tide... me lembro de ter ficado toda orgulhosa, pois pela primeira vez alguém ( ele) pediu um martini com cereja para mim num bar....

- o ingá da tia cema.....tem foto por ai desse ingazeiro.... vou achar....

- o cheiro que ficou no fusca da tia Cema quando um dia fomos buscar vinho de colono e o vinho começou a estourar dentro do carro.... foi ai que descobri o processo da fermentação do champagne...

-o cheiro da cachaça que fui buscar com o Renato num alambique... que saudades do Renato, do seu jeito e seu sorriso, ele dirigindo encostadoe meio torto na porta do carro com o braço para fora....

- e com o Marcos o cheiro das revistas que algumas vezes o ajudei a separar para fazer as devoluções em Timbó.... revistas estas que eu lia todas na venda da tia Cema ...

- o “gazosão” que era servido na casa da nona... mandado comprar na hora do almoço....

- eu e a Dete indo pela primeira vez para “ o caminho do Blumenau”.... ela dirigindo.....eu dando força moral.....

- os cheiros de madeira de Rodeio são capítulos a parte...Alem dos cheiros da lenha queimando no fogão, das casas e armarios, tem também o cheiro de madeira queimada que ficava na rua talvez da fabrica de madeiras que fazia potes para farinha, colheres de pau que também exalavam um cheiro delicioso de madeira fresca.... O cheiro dos operarios da serraria que chegavam na venda da tia Cema exalando sandalo ou sassafrás.......

- o cheiro dos ágapes no rio , a noite perfumando tudo e os sapos barulhentos....juntamente com trilhões de pernilongos. As pessoas em frente as suas casas sentados nas cadeiras ciacolando, com as pernas enroladas em panos para os pernilongos não picarem... A escolha era terrível... ou se ficava dentro de casa morrendo de calor ou se era devorado pelos pernilongos do lado de fora.....

- as serenatas nas noites de Rodeio com o Isaias tocando sanfona, a cantoria até altas horas....eo tio Erico pedindo para cantar mais uma vez “ Vosto venir Nineta” e pedindo para o Conde recitar....o Pelica com seu violão...

- A Gláucia com seu sorriso e a Debi com sua covinha....

- as risadas com o Chiquinho....

- a loja de tecido da Selma e as antiguidades do Natal....

- o café na casa da Tia Rosa, e o cigarro de palha no Tio Ângelo????

- o sorvete no bar do osmir...

- A Ena, o Didi, o Toninho, a Dete e não me lembro quem mais fazendo declarações de amor para as arvores de Rodeio num sábado de madrugada....

- A Dete ouvindo suas musicas preferidas de farwoest e o tio Tuca a musica “ Picola Citta”

- A tia Cema cantando “ una caseta in canadá”

- os ensaios do teatro para a Semana Santa

- O Geraldino discutindo seus primeiros números do jornal “ O Corujão”...

- os tombos de bicicleta e a lama que tinha.....A Catia correndo atrás de mim enquanto eu andava de bicicleta pois ela não sabia andar de bicicleta....

- o nono Celso vendendo cuca.... o sabor da cuca que pegávamos na carroça.....o cheiro doce dos Paes e doces ao levantar a toalha que os cobria...

- o banheiro da casa do nono Celso e nona Ida era para mim uma curiosidade a parte... tinha duas portas que davam para fora... era uma tremenda insegurança usa-lo...

- o sono na missa da manha....

- o casamento da tia Cema, com farinha esparramada no chão.... e eu entrando pela janela na manha seguinte a noite de núpcias.....

- a crucula.... e a cabana que o Marcos, Renato, Celi, Ed tentaram fazer para nós no alto do morro... destruídos pelos vento e pela correria pois tinha touro no pasto e tivemos que descer voando.......

- eu o Ed e a Cátia dando milho para as galinhas se aproximarem de nós para depois espanta las e ver as penosas voando e saindo em disparada...

Enfim são tantas as recordações... deliciosas...

Rodeio cheio de cheiros cheio de recordações...

Comentários que recebi e aqui transcrevo:

* Pô, nossa prima olfativa (aliás, reminiscências sempre tem certa spuza de olf...) não deixou mais nada para ser dito...Mas eu me lembro dela, Doris, com uns 5 anos, subindo à minha frente naquela escada quase vertical para o sótão do rancho, deixando à mostra por baixo do vestido "la culata biànca" e em cada "banda" a marca verrrrrmeeeeelha inconfundível carimbada com as duas palmas da Tia Miriam... Baci .Marcelo M

* Querida Dóris,

Que memória fantástica! Que sensações nítidas você consegue transmitir. Recordei tanta coisa que nem eu mesma me lembrava. Aí se vê como Rodeio era lindo, rico de ricas inspirações. Acho que o teu texto "memorável" merece ser repassado para todos os que ainda vivem da nossa família.

Obrigada querida. Você me deu um lindo presente: um pouco do passado de todos nós, que não há nada que se compare. Lembranças que valem mais que uma jóia rara. Aliás, acho que poucos tiveram uma infância assim.

Beijos. Tia Cema

PALAVRA ESCRITA

Pensamento devem ser escritos... pois como diz o ditado :
"se não está escrito.... não existe"

HERCULES E OS DOZE TRABALHOS DA ALMA

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