segunda-feira, 14 de julho de 2014

Edna e Leticia - Perdão

Como não ver a mão de Deus nestas coincidências que a vida reserva para certas pessoas.
O relato abaixo é breve !

Leticia nunca se conformou com algumas atitude de sua mãe. Não que a mãe fosse uma má pessoa, mas algumas atitudes dela tinham um certo grau de crueldade ou intolerância.

No passado, há questão de uns 40 anos, ainda havia o costume de famílias mais humildes, geralmente lavradores, “distribuírem” seus filhos para uma família com mais recursos financeiros  que moravam mais perto da escola. Era a única forma de verem seus filhos estudando.

Com Edna aconteceu assim.

Tinha seus 8 anos quando seus pais a deixaram na casa dos pais de Leticia. O combinado era que Edna estudaria na escola e ajudaria no trabalho da casa até se formar e poder cuidar da sua vida.

Na casa onde Edna foi morar haviam várias crianças com idades muito próximas.

Pela manha todas iam juntas à escola.

Depois do almoço todas tinham suas tarefas na casa para cumprir. As filhas do casal ficavam com tarefas mais fáceis.
As meninas se davam bem, brincavam juntas, iam ao clube juntas.
Todas gostavam de Edna!
Todas se revoltavam com a mãe quando ela por algum motivo castigava Edna.

Quando  D. Luisa queria  castigar Edna por um serviço mal feito ela a proibia de estudar. Assim por diversas vezes Edna perdeu provas e era impedida de estudar ou ir a escola.

Com o passar do tempo todas cresceram e Edna se formou.

Assim que se formou; e esse era o combinado;  Edna tratou de traçar um rumo para sua vida e saiu da casa de D. Luisa .
Voltou a morar com os pais.

D. Luisa não se conformou !

- Agora que ela esta formada e pode me ajudar de verdade ela vai embora?
Indignada, D. Luisa não deixou que Edna levasse nada que havia ganho durante os anos que morara com a familia.
Não permitiu que levasse nem as roupas que havia ganho e contava a todos a ingratidão de Edna.

Edna partiu e foi trabalhar em um firma. Infelizmente a vida para Edna não ficou mais fácil.

Apesar de ser uma moça formada e muito inteligente ela não conseguia colocação em um bom emprego.

Um dia, por acaso, Edna se reencontra com Leticia que nesta época trabalhava em um banco. O reencontro  é carinhoso e as duas restabelecem os laços da infância e juventude.

Leticia, usando da relativa influencia que tinha,  consegue uma chance para Edna tentar fazer um teste e ter a possibilidade de  conseguir uma vaga em um banco.

Edna presta a prova e consegue a vaga.Com esse emprego ela começa a pagar sua faculdade.

Edna se forma e é Leticia que lhe compra o  vestido de formatura.

Felicidade !

E  mais uma vez,  cada uma segue seu caminho...

Distanciam se ...

Leticia as vezes pensava em como estaria Edna; se ela havia perdoado a mãe por todo o mal que esta lhe causou, se havia se saído bem na vida...

Passam se anos até que depois de uns dias de sofrimento D. Luisa falece.

Na hora do enterro, no cemitério,  as filhas de D. Luisa aguardam tristes e ansiosas a chegada do corpo da mãe para o velório que será realizado na única “câmera ardente” disponível no cemitério, pois o mesmo está em reforma.

O corpo de D. Luisa tem de aguardar a saída do corpo de um senhor que está sendo velado pela família e que já deveria ter saído para o enterro.

Leticia se dirige a administração e quer saber o motivo de tanta demora:

- estamos aguardando a filha do falecido chegar de Paris !
 O enterro só irá sair depois que a filha chegar.

Depois de mais um tempo de espera um carro estaciona em frente ao velório e lá de dentro descem algumas senhoras.

Letícia observa a chegada do carro e o desembarque daquelas mulheres e eis que lhe parece reconhecer uma delas... Edna ?

Surpresa ela se direge a mulher e se certifica que é mesmo sua querida amiga. Sim é ela ! Se abraçam e se emocionam neste triste momento  e Leticia lhe pergunta o que ela está fazendo no cemitério?

- Estou chegando da França !Meu pai faleceu !  Não deixei enterrarem meu pai sem eu estar presente !

Leticia chora e  lhe conta que ela também está enterrando sua mãe, ou melhor aguarda o velório ser liberado para poder velar e enterrar a mãe.

Letícia pressente neste encontro uma mão divina... tantos anos pensando em Edna e agora neste momento a encontra... não pode deixar para fazer esta pergunta depois:

- Edna ! Eu sempre penso em você ! Em como minha mãe foi cruel com você ! A mão de Deus está aqui presente! Eu gostaria de perguntar para você se você a perdoa por tudo o que ela lhe fez! Perdão para que ela possa partir em paz !

Edna responde !

- Claro que perdoo ! Eu cresci ! E foi você quem me encaminhou na vida ! Foi você que me auxiliou quando eu mais precisava de ajuda ! Agora estou bem ! Há anos me casei com  um engenheiro, moramos na França, temos filhos e trabalho com inclusão social. Se hoje estou bem devo muito a você !

Um grande e emociondo abraço selou a amizade das amigas que se reencontravam num momento de perda tão dolorida.

Edna enterrando o pai que no passado a deu para uma família criar e Leticia aguardando o enterro do pai de Edna para poder enterrar a mãe.

A mão de Deus... misericordiosa nesta hora, aliviando o coração aflito de uma amorosa filha que desejava ( e obtivera)  o perdão para sua mãe descansar em paz.

Edna então aguardou a chegada do corpo de sua mãe com o coração em paz...

 A mãe havia sido perdoada !



Nenhum comentário:

Postar um comentário

HERCULES E OS DOZE TRABALHOS DA ALMA

"O que poucos sabem é que esta narrativa esconde preceitos morais para a educação da personalidade humana, sendo tambem conhecida como ...