Eu não o odeio, só não o amo... O MAR
Amo as montanhas, a terra fresca e molhada.
Amo o perfume da terra depois da chuva. A mistura dos
cheiros numa noite perfumada como hoje: Um perfume doce!
Você não sente?
Abro a minha porta e o que sinto é o cheiro ardido da
terra molhada numa mistura de óleo, asfalto e poeira e depois... Ah! Depois é o
doce cheiro da noite. A mistura das amarelas magnólias, das brancas murtas de
cheiro, da aroeira mansa que cheira a uma manga recém-descascada e mais não sei,
só sei que é doce, fresco, suave! Bom!
Não amo o mar...
Aquele mundo azul é lindo, mas engana com seu vai e volta.
Ilude-nos com seu horizonte infinito que jamais conseguiremos
alcançar com nossos pés.
Sua agua é salgada, traiçoeira, mata. Mata e arranca o
chão onde eu piso e para mim... Cheira mal.
Sem a madeira da terra, no mar, você não vai a lugar
nenhum.
Suas areias macias são os restos do passado triturados ao
longo de séculos naquele vai e vem infinito... Contemplar o mar é contemplar o
passado, aquilo que foi destruído.
Amo as MONTANHAS... A terra. Ela é viva, cheirosa, cheia
de seres, flores, frutos, perfumes, brotos... Vida! Um renovar-se sem fim. Meus
pés caminham sob ela e podem me levar a muitos lugares.
As montanhas limitam meu olhar? Não... Elas me fazem
caminhar. Olho para o alto, olho para frente, olho para baixo e tudo é repleto
de vida, cores, sons, odores.
O mar é lindo... Mas não, não o amo!
Amo as montanhas.
Amo a terra.
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