segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cheiros de Rodeio

Dizem alguns que os perfumes ficam gravados na alma...

há algum tempo atrás sentindo saudades de Rodeio escrevi um texto que mandei para algumas pessoas da família... São cheiros da minha infância... gostaria que meus filhos pudessem senti los, mas sei que jamais sentirão da mesma forma que eu...

Quem não lembra ?????

- o barulho do assoalho da antiga casa da tia Armide; quem ficava no andar de baixo ouvia o tec tec dos que estavam em cima caminhando....

- o cheiro de cola da sapataria do tio Tuca...

- as hortencias da tia Armide....

- o barranco da casa dela com cheiro da terra úmida em dias de frio.

- a privada que ficava fora de casa ( hughh!!! mas me lembro) e o medo de cair la dentro quando se usava......

- A Tia Armide conversando com a galinha Gabriela .....

- as balas de amendoim ( nunca mais achei iguais de tão gostosas) que o Tio Tide distribuía para nós quando era noivo da Tia Cema....e a risada dele.....

- cheiro de muss, polenta, polenta brustolada, o sabão de cinzas da nona ( lizia?)

- os torteis de banana com canela ( ainda me arrisco a fazer e a comer....)

- os cheiros da casa da nona....

-o armário da cozinha da casa da nona ( casolar) feito de madeira , tela de arame pieno di muss, pane, formagi , salami e pani bianchi....o cheiro dos ranchos, biscotti del bambinel e mal di panza . Os banhos de canequinha numa bacia grande de aluminio com água salobra e todo mundo reclamando da água e tentando adivinhar o pq a água era assim......O Cheiro de cravo e pêssego que sentia ao lado da nona Carolina ( será que só eu que sentia esse cheiro???)

-o cheiro dos livros da tia Cema na estante , e as ilustrações e canções da coleção do “mundo da criança”, coleção por mim cobiçada por anos e que agora quando entro num sebo de livros e encontro uma para vender considero uma heresia ...

- a As Tias chamando pelos “ matelotti”

- o cheiro da venda da tia Cema e da cachaça de ervas que a tia Armide fazia...

- tia Armide matando sapo com o tamanco e gambá com uma vara... ....

- o “cheiro de dor” por ter descido a rampa da igreja na folha de coqueiro e ter ralado a bunda na terra ou ter sentado dentro do tacho de fazer sabão no fogão de lenha da nona Carolina sem saber que o fogão ainda estava quente.... ( só quem sentou no tacho sabe como era possivel e gostoso nas noites frias ficar lá dentro...), é um cheiro de dor de verdade. A dor foi tanta que me lembro até do cheiro dela....

- o jardim lateral da casa do tio Dino, e a casa triscando de tão brilhante da Tia Lena com seus lençois brancos de renda que nem Omo hoje em dia chega perto.....

- 0 cheiro e o sabor dos paes de aimpim e batata da Cacilda Fava que até hoje não consegui fazer.... a manteiga e o mel que passava neles..meu Deus!!! Que saudade !!!!!!!!

- cheiro do açougue.... vários.... externos e internos.... os barulhos tambem... recolhendo os bois para o abate... a fuga dos mesmos e nós subindo muros e cercas para não sermos pegos por eles... o Arceste correndo atras dos bois....a mangueira do açougue, o cheiro de xouriço, lingüiças, torresmo prensado e rescendendo para a casa da Nona... até hoje adoro um torresmo... e tem dias que chega a me dar vontade de chorar quando como um torresmo prensado pois me vem a lembrança o cheiro da minha infância....

- o cheiro do porão da casa da tia Cema.....cheio de garrafões de vinho...

- o cheiro e o barulho do bar que ficava na outra esquina da casa da tia Cema, fui lá pela primeira vez com o Tio Tide... me lembro de ter ficado toda orgulhosa, pois pela primeira vez alguém ( ele) pediu um martini com cereja para mim num bar....

- o ingá da tia cema.....tem foto por ai desse ingazeiro.... vou achar....

- o cheiro que ficou no fusca da tia Cema quando um dia fomos buscar vinho de colono e o vinho começou a estourar dentro do carro.... foi ai que descobri o processo da fermentação do champagne...

-o cheiro da cachaça que fui buscar com o Renato num alambique... que saudades do Renato, do seu jeito e seu sorriso, ele dirigindo encostadoe meio torto na porta do carro com o braço para fora....

- e com o Marcos o cheiro das revistas que algumas vezes o ajudei a separar para fazer as devoluções em Timbó.... revistas estas que eu lia todas na venda da tia Cema ...

- o “gazosão” que era servido na casa da nona... mandado comprar na hora do almoço....

- eu e a Dete indo pela primeira vez para “ o caminho do Blumenau”.... ela dirigindo.....eu dando força moral.....

- os cheiros de madeira de Rodeio são capítulos a parte...Alem dos cheiros da lenha queimando no fogão, das casas e armarios, tem também o cheiro de madeira queimada que ficava na rua talvez da fabrica de madeiras que fazia potes para farinha, colheres de pau que também exalavam um cheiro delicioso de madeira fresca.... O cheiro dos operarios da serraria que chegavam na venda da tia Cema exalando sandalo ou sassafrás.......

- o cheiro dos ágapes no rio , a noite perfumando tudo e os sapos barulhentos....juntamente com trilhões de pernilongos. As pessoas em frente as suas casas sentados nas cadeiras ciacolando, com as pernas enroladas em panos para os pernilongos não picarem... A escolha era terrível... ou se ficava dentro de casa morrendo de calor ou se era devorado pelos pernilongos do lado de fora.....

- as serenatas nas noites de Rodeio com o Isaias tocando sanfona, a cantoria até altas horas....eo tio Erico pedindo para cantar mais uma vez “ Vosto venir Nineta” e pedindo para o Conde recitar....o Pelica com seu violão...

- A Gláucia com seu sorriso e a Debi com sua covinha....

- as risadas com o Chiquinho....

- a loja de tecido da Selma e as antiguidades do Natal....

- o café na casa da Tia Rosa, e o cigarro de palha no Tio Ângelo????

- o sorvete no bar do osmir...

- A Ena, o Didi, o Toninho, a Dete e não me lembro quem mais fazendo declarações de amor para as arvores de Rodeio num sábado de madrugada....

- A Dete ouvindo suas musicas preferidas de farwoest e o tio Tuca a musica “ Picola Citta”

- A tia Cema cantando “ una caseta in canadá”

- os ensaios do teatro para a Semana Santa

- O Geraldino discutindo seus primeiros números do jornal “ O Corujão”...

- os tombos de bicicleta e a lama que tinha.....A Catia correndo atrás de mim enquanto eu andava de bicicleta pois ela não sabia andar de bicicleta....

- o nono Celso vendendo cuca.... o sabor da cuca que pegávamos na carroça.....o cheiro doce dos Paes e doces ao levantar a toalha que os cobria...

- o banheiro da casa do nono Celso e nona Ida era para mim uma curiosidade a parte... tinha duas portas que davam para fora... era uma tremenda insegurança usa-lo...

- o sono na missa da manha....

- o casamento da tia Cema, com farinha esparramada no chão.... e eu entrando pela janela na manha seguinte a noite de núpcias.....

- a crucula.... e a cabana que o Marcos, Renato, Celi, Ed tentaram fazer para nós no alto do morro... destruídos pelos vento e pela correria pois tinha touro no pasto e tivemos que descer voando.......

- eu o Ed e a Cátia dando milho para as galinhas se aproximarem de nós para depois espanta las e ver as penosas voando e saindo em disparada...

Enfim são tantas as recordações... deliciosas...

Rodeio cheio de cheiros cheio de recordações...

Comentários que recebi e aqui transcrevo:

* Pô, nossa prima olfativa (aliás, reminiscências sempre tem certa spuza de olf...) não deixou mais nada para ser dito...Mas eu me lembro dela, Doris, com uns 5 anos, subindo à minha frente naquela escada quase vertical para o sótão do rancho, deixando à mostra por baixo do vestido "la culata biànca" e em cada "banda" a marca verrrrrmeeeeelha inconfundível carimbada com as duas palmas da Tia Miriam... Baci .Marcelo M

* Querida Dóris,

Que memória fantástica! Que sensações nítidas você consegue transmitir. Recordei tanta coisa que nem eu mesma me lembrava. Aí se vê como Rodeio era lindo, rico de ricas inspirações. Acho que o teu texto "memorável" merece ser repassado para todos os que ainda vivem da nossa família.

Obrigada querida. Você me deu um lindo presente: um pouco do passado de todos nós, que não há nada que se compare. Lembranças que valem mais que uma jóia rara. Aliás, acho que poucos tiveram uma infância assim.

Beijos. Tia Cema

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